Garota Propaganda
Nua,
Deitada e em Pranto.
Virgem,
Chora pelos cantos.
Ela é perfeita
se acha imensa.
Não caber em moda a deixa tensa.
Louca,
Fica submersa.
Em mais de mil planos, promessas.
Ela na verdade
Só queria aparecer
Numa propaganda de biquini da TV.
Se uma roupa não lhe cai bem.
Sobram as pétalas das flores que jamais
podem perceber uns quilinhos a mais.
Ela é tão bela
não quer se ver.
Seu sonho é estar nua
no horário nobre da TV.
Cega,
quer ser um produto.
Iludida,
Só ouve o consumo.
Sua auto estima vedada pela tristeza.
Nenhum homem a quer,
apesar da sua beleza.
A Mulher da Janela
Parada à janela da rua
ela derrama sua lágrima
cada gota, uma história
gemido de memória
feliz ou trágica.
uns braços envolvem consolo
abrigam-na tão vulnerável
fazendo-a chorar, segura
da lágrima, a mais pura
sente-se mais confortável.
Na doce friagem
a brisa se escandaliza
seu sonho profundo
forma a imagem ideal
formata-se na cor
do desejo teatral.
Na noite seguinte, acordada
sua sina continua
parada à janela da rua
ela derrama sua lágrima
cada gota, uma história
gemido de memória
feliz ou trágica.




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